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OLHA O OLHO DA MENINA
vers�o de bolso

Essa vers�o completa do livro em uma p�gina � para voc� que est� querendo ler a hist�ria inteira, e n�o pode esperar o download de todas as imagens coloridas em tamanho integral. Se n�o resistir � curiosidade, e quiser ver qualquer uma das p�ginas ocupar a tela inteira, � s� clicar as imagens. Convidamos voc� para voltar com mais calma, e apreciar todas as bel�ssimas ilustra��es de Ziraldo que acompanham o texto de Marisa Prado. Lembre-se que as imagens em preto e branco s�o todas clic�veis. Agora chega de enrolar, e vamos come�ar a
ler o livro?





OLHA O OLHO DA MENINA

Menina crescia escutando
que n�o adiantava mentir
porque M�e sempre sabia.
M�e dizia
que lia na testa da Menina,
e que s� M�e
sabia ler testa.
Menina tentava
tapar a testa com a m�o
na hora de mentir.
M�e achava gra�a. Muita gra�a.
E continuava lendo assim mesmo.
Menina precisava entender
como essa coisa misteriosa acontecia.
No espelho do banheiro,
mentia muito em sil�ncio.
E na testa, nada escrito!
A�, Menina descobriu
que M�e tamb�m mentia.
E que ent�o n�o era testa
era o olho, com um brilho diferente -
que entregava a mentira.
Menina ent�o tentava
fechar o olho com for�a,
para esconder a mentira.
Mas nem isso resolvia,
pois M�e sempre adivinhava.
Menina tinha era que aprender
a fingir de olho aberto,
que mentira era verdade.
Menina tentou, tentou...
e aprendeu.
Era essa a solu��o.
Mas de noite
Menina ficava apertada por dentro.
Assim meio sufocada,
n�o podia nem piscar.
Com o olho muito aberto,
n�o conseguia dormir.
Faltava ar pra Menina.
Igual quando a gente fica
quase sem respirar
rindo de uma cosquinha.
S� que n�o tinha gra�a.
Menina - sem querer -
tinha descoberto a Consci�ncia,
uma coisa que toma conta da gente
mesmo quando M�e
n�o est� lendo testa,
nem adivinhando olho.
Menina tinha aprendido
que ter que fingir do�a.
E que desse jeito
ia ficar muito sem gra�a
ser gente grande.
Menina desistiu de crescer.
Mas n�o adiantava.
Menina via que agora
j� estava quase da altura
do m�vel da sala da vov�.
E ficava muito triste,
o aperto apertando mais.
E de tanto que o aperto apertava,
Menina achou que fingir
s� podia doer tanto
porque era dor sozinha.
Menina teve uma id�ia.
E ainda n�o sabia
se era id�ia brilhante.
Mas sabia - isso sim -
que precisava testar,
pra conseguir descobir.
A id�ia da Menina
foi dizer para M�e
que era dif�cil fingir.
Menina achava ruim
aprender montes de coisas
sem dividir com ningu�m.
Menina falou pra M�e
que era muito complicado
e que n�o era nada bom
ter que crescer sozinha.
M�e abra�ou
muito apertado a Menina.
E no colo t�o esperado
Menina estava sendo m�e da M�e.
Menina sentiu
que m�e estava chorando.
E que M�e
ainda n�o tinha aprendido tudo.
M�e n�o falava nada
Mas uma e outra sabiam
naquele abra�o apertado
que em M�e tamb�m do�a
ser gente grande sozinha.
Nessa hora
Menina entendeu tudinho.
Descobriu que s� carinho
� que espanta a solid�o.
E que a dor, se dividida,
fica dor menos do�da.
E que a�,
d� at� vontade
de continuar a crescer
pra descobrir
o resto das coisas.

Agora que voc� j� leu a hist�ria toda, mande seus coment�rios sobre o livro diretamente para Marisa ou Ziraldo!

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